Elas são rejeitadas no mercado quando atingem certa idade. Costumam ganhar menos, mesmo ocupando cargos iguais aos dos homens. E muitas vezes trabalham bem mais, quando se leva em conta a ‘terceira jornada’ daquelas que precisam cuidar da casa e dos filhos. A luta por melhores condições de trabalho está presente no Dia das Mulheres desde a sua criação, por isso  neste 8 de Março, histórias de trabalhadoras que fizeram do empreendedorismo um instrumento de luta para enfrentar mais uma desigualdade que desde cedo lhes é imposta.

Dados divulgados pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) denunciam este cenário: no Brasil, mulheres ganham até 25,6% menos que os homens, mesmo quando têm cargos e qualificações iguais. No que diz respeito aos postos de gerência ou direção, elas recebem até 32% menos que eles, segundo informações da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os indicadores apontam aquilo que muitas já têm percebido ao tentar entrar no mercado de trabalho: a desigualdade.

Gestora de Educação Empreendedora do Sebrae Paraíba, Humara Medeiros, diz que estas discrepâncias têm feito muitas mulheres abrirem seus próprios negócios. “O empreendedorismo tem sido o caminho para aumentar o número de mulheres que têm sua independência financeira. Mesmo realizando atividades igualitárias aos homens, elas não alcançam o mesmo nível salarial no mercado de trabalho. As oportunidades de empregos não são as mesmas e isso dificulta sua inserção, levando-as a buscar qualificação para empreender”, destacou.

Quem conhece bem este cenário é Alkiria Rezende, de 52 anos, da MUXITO, empreendimento especializado em produção e venda de sanduíches naturais. Sua história tem o enredo das milhares de paraibanas que precisaram de força e determinação para burlar o destino de dependência e falta de oportunidades que logo cedo é apresentado.
“Me divorciei e precisei me virar, porque tinha três filhas que dependiam de mim. Vendi de tudo: produto de beleza de porta em porta, produtos naturais, até plano funerário eu vendi. Consegui mais tranquilidade quando assinaram minha carteira, até o dia que fui demitida e não consegui mais emprego. Já tinha mais de 40 anos e o mercado não me absorvia”.


Empreendedora Alkiria Rezende, da MUXITO


Depois de muitas portas fechadas, Alkiria percebeu que empreender poderia abrir um caminho de novas possibilidades. “Minha mãe sempre me orientou a ter meu negócio, mas me casei e fiquei na dependência do marido. Depois que nos divorciamos, tentei de tudo para sobreviver, mas só encontrava obstáculos. As contas chegavam, meu apartamento foi a leilão porque não tive mais como pagar. Uma amiga me aconselhou investir nos sanduíches naturais, porque era um nicho que estava crescendo. Assim começou a história da minha empresa”, lembra.

Sororidade: palavra que designa a aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo. Do conselho da mãe no passado à orientação da amiga no presente, Alkiria construiu seu empreendimento de mãos dadas às várias outras companheiras. “Nesta época era minha filha mais velha quem sustentava a casa. Ela saiu do emprego para me ajudar. Com o pouco dinheiro dela investimos nos sanduíches. Saíamos de porta em porta, muitas vezes não tínhamos nem o que comer para investir no produto. Minha filha caçula dizia que estava com fome, eu mandava ela tomar água e dormir. Tivemos que ter perseverança e aos poucos fomos tentando conquistar nosso espaço”, destaca a empreendedora.

E juntas, mãe e filha conquistaram o mercado. Hoje são cinco funcionários, mais de 60 clientes em pontos de vendas fixos, fora as vendas para eventos. Já são três linhas de produtos (além dos sanduíches, são torradas integrais e tofus, também usado nos produtos, que não têm lactose). Com o faturamento, conseguiu formar as três filhas: uma administradora de empresas, uma nutricionista e a outra chefe de cozinha. “Para mulher é sempre mais difícil. Por mais qualificação que você tenha, nem sempre conseguimos os espaços. Empreender para mim foi uma porta de saída daquela dificuldade. Meu conselho é que se faça o que se gosta, acreditando no que faz”, destacou Alkiria, que já está há 14 anos no mercado com a Muxito Lanches.

“Para mulher é sempre mais difícil. Por mais qualificação que você tenha, nem sempre conseguimos os espaços. Empreender para mim foi uma porta de saída daquela dificuldade” – Alkíria Rezende

Vencedora do Prêmio Sebrae Mulheres de Negócios, outra que encontrou no empreendedorismo o caminho para a independência financeira foi Cristina Heim, da GuardeBem, empresa especialista em soluções de espaço compartilhado: Escritório virtual, Coworking e Self Storage. “O empreendedorismo é bem mais democrático, permite que pessoas de qualquer idade iniciem seu negócio. É trabalhoso, tem riscos e precisamos de muita determinação, mas ele permite que você alcance patamares no limite dos seus sonhos”, disse.

A empreendedora observa que, comparado com o mercado de trabalho comum, o empreendedorismo dá às mulheres a liberdade de alcançarem com maior liberdade o objetivo desejado. “O emprego formal acaba limitando muitas pessoas, principalmente quando se chega a uma certa idade. Hoje tenho grande satisfação em servir como inspiração para muitas outras mulheres que querem ter independência, com coragem e atitude. Nunca me imaginei sendo liderada por outras pessoas ou em alguma função burocrática, daí a escolha do empreendedorismo”.


Cristina Heim premiada no Mulheres de Negócios


Ela reforça ainda que, ao contrário do que acontece no mercado de trabalho, ao assumirem os próprios negócios, as mulheres não precisam ficar divididas entre ser mãe ou empresária, já que há mais flexibilidade àquelas que precisam cuidar dos filhos. “Atrelado ao empreendedorismo vem toda a necessidade de gestão e manutenção da própria casa e família, sem deixar de desenvolver uma função produtiva, que traga retorno financeiro com satisfação profissional e pessoal”, destacou Cristina Heim.

Sebrae destaca crescimento do empreendedorismo feminino

A pesquisa “Os Donos de Negócio no Brasil: análise por sexo”, divulgado pelo Sebrae Nacional, mostram que, apesar do número de homens com negócio ser superior ao de mulheres, a taxa de expansão das mulheres tem superado a dos empreendedores masculinos. Durante os últimos 13 anos, o número de donas de negócio cresceu em 2 milhões de pessoas (passando de 5,9 para 7,9 milhões de pessoas).

Em consequência disso, a participação relativa das mulheres com negócio cresceu de 29% em 2001 para 32% em 2014. Por outro lado, a participação relativa dos homens perdeu três pontos percentuais, passando de 71% em 2001 para 68% em 2014.

O estudo revela ainda que 41% das mulheres que tem negócios são chefes de domicílio. O número é 14 pontos percentuais maior que o estudo anterior, quando apenas 27% delas eram as responsáveis pelas famílias. Na Paraíba, os dados também reforçam o poder do empreendedorismo feminino.

Em números: 32% mais empreendedoras no Brasil; 41% delas são chefes de família; +42 mil MEI mulheres só na PB

Dos 92.682 mil microempreendedores individuais (MEI) do Estado, 42.122 são mulheres, equivalente a 45,4%, apontam dados da Receita Federal divulgados pelo Sebrae Paraíba. Elas atuam em atividades como cabeleireiros, tratamento de beleza, serviços domésticos, confecção de peças do vestuário, fabricação de bijuterias e artefatos, entre outras, além de atividades tradicionais aos homens, como serviço de táxi, manutenção e reparação mecânica de veículos automotores, obras de alvenaria e instalação e manutenção elétrica. Em 2016, mais de 10 mil mulheres buscaram orientação e capacitação nas onze agências do Sebrae na Paraíba.

A gestora de educação empreendedora do Sebrae Paraíba, Humara Medeiros, reforçou o poder do empreendedorismo feminino na Paraíba. “Os números de atendimentos mostram que elas estão cada vez mais interessadas em empreender, perceberam que este é o caminho e hoje tem crescimento mais expressivo que o dos homens, quando pensamos em novos empreendimentos. Ano passado elas foram destaque e tenho certeza que continuarão sendo por muito tempo”, finalizou.





Beto Pessoa – MaisPB
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